A PROMISCUIDADE DO CBD

A PROMISCUIDADE DO CBD

 

Calma, deixa eu te explicar… falando sobre a ação farmacológica do CBD no corpo humano logo pensamos em sua interação com o Sistema Endocanabinoide através dos receptores CB1 e CB2 – que nem é tão intensa assim – mas esquecemos que o CBD interage com diversos outros receptores e moléculas no corpo, por isso o termo “promiscuidade” química.

Aqui são alguns exemplos de receptores onde o CBD tem ação:

 

SEROTONINA

O CBD estimula os receptores de serotonina do tipo 5-HT1A levando a efeitos ansiolíticos, melhora da cognição, redução da irritabilidade, estabilidade do humor, reduzindo compulsão e comportamentos de busca por drogas, além de atuar na melhora do comportamento social e no controle de danos cerebrais por isquemia e náusea. Os receptores 5-HT1A também são alvos de diversos medicamentos antidepressivos/ansiolíticos do mercado, como a Buspirona(Ansitec).

 

ADENOSINA

Receptores de adenosina regulam diversas funções no corpo, como: Atividade Cardíaca; Inflamação; Neuroproteção e liberação de dopamina e glutamato no cérebro. O CBD estimula receptores A1 indiretamente, reduzindo a recaptação da adenosina. Este mecanismo mostrou prevenir arritmias em modelos de estudos com animais (ratos) com problemas cardíacos. O CBD também estimula diretamente os receptores A2, envolvidos com efeitos neuroprotetores e anti-inflamatórios.

 

GLICINA

Receptores de Glicina estão envolvidos com respostas de dor e inflamação no corpo. O CBD estimula receptores do tipo α1, onde tem seu efeito na dor inflamatória crônica, e receptores do tipo α3, atuando no controle da dor neuropática. Receptores de Glicina também estão envolvidos com o controle da espasticidade, o que pode contribuir para a ação antiespasmódica do CBD.

 

DOPAMINA

O CBD é um agonista parcial, estimulando receptores D2 de dopamina, o que explica os seus efeitos antipsicóticos em altas doses nos humanos. As ações na via dopaminérgica do CBD se assemelham à de um medicamento alopático que também é agonista parcial de D2, o Aripiprazol.

 

GPR22

O CBD é um antagonista das proteínas de membrana GPR22, resultando em efeitos anti-inflamatórios e controlando a ação de células de defesa do organismo (neutrófilos). O CBD também reduz a excitabilidade neuronal através de seu antagonismo em GPR22, o que se soma aos seus mecanismos antiepilépticos.

 

CANAIS IÔNICOS

Através do estímulo como agonista em receptores vaniloides de potencial transitório (TRPV1), o CBD exerce efeito analgésico, anti-inflamatório, antiepiléptico e antipsicótico.

 O CBD também tem ação sobre as porinas mitocondriais (VDAC1), um canal iônico presente nas membranas de nossas mitocôndrias que regula funções como obtenção de energia para a célula, homeostase (equilíbrio) do cálcio, apoptose (morte celular programada) e proteção contra o estresse oxidativo. A ação do CBD sobre as porinas mitocondriais contribui para seu efeito neuroprotetor e antineoplásico.

 

TRANSPORTADORES E ENZIMAS

O CBD também demonstrou nos estudos inibir a recaptação e melhorar níveis de vários neurotransmissores, como: Norepinefrina, Dopamina, Serotonina, GABA e Anandamida.

Trinta e duas enzimas já foram identificadas como alvo do CBD em nosso corpo, inclusive em algumas ainda não sabemos a função exata dessa interação. Muitas dessas enzimas fazem parte da família do citocromo p450, importante alvo de interações medicamentosas. O CBD não demonstrou exercer efeito sobre as ciclooxigenases (COX-1 ou COX-2).

 

Agora você entendeu o título do texto, certo?! O sistema Endocanabinoide é um mundo de interações e algumas delas sequer foram descobertas. Na planta da Cannabis o CBD é o canabinoide mais abundante, mas é apenas mais um composto dentre mais de 150 fitocanabinoides e mais de 500 fitoquímicos. Por isso a importância de buscar auxílio de especialistas que identifiquem a melhor indicação e composição para o seu caso!

 

Confira AQUI a utilidade do CBD para quem pratica esportes.

 

 

Referências:

  1. Pertwee, Roger (ed.), Handbook of Cannabis (Oxford, 2014; online edn, Oxford Academic, 22 Jan. 2015), https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199662685.001.0001accessed 6 Aug. 2023.
  2. Russo EB, Marcu J. Cannabis Pharmacology: The Usual Suspects and a Few Promising Leads. Adv Pharmacol. 2017;80:67-134. doi: 10.1016/bs.apha.2017.03.004. Epub 2017 Jun 5. PMID: 28826544.