CANNABIS MEDICINAL E ENXAQUECA

 

 

A enxaqueca é uma doença crônica com apresentação em crises de dor de cabeça latejante preferencialmente unilateral de forte intensidade, associada a  fotofobia (sensibilidade à luz) ou fonofobia (sensibilidade aos sons) e muitas vezes com a presença de náuseas e vômitos.

 

Essa é uma realidade vivida por 15% da população mundial segundo dados a OMS (Organização Mundial de saúde) e uma das doenças mais incapacitantes.

 

QUAIS SÃO OS FATORES DESENCADEANTES DA ENXAQUECA?

 

1. Estresse, ansiedade;

2. Alterações hormonais;

3. Ingesta de alguns tipos de alimentos como: ultra processados, ricos em açúcar, gordura, sódio. Assim como alimentos ricos em glutamato monossódico presente em diversos tipos de molhos;

4. Noites mal dormidas;

5. Ingesta de bebidas alcoólicas;

6. Consumo excessivo de cafeína ou sua retirada brusca;

7. Chocolate.

 

QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS CONVENCIONAIS?

 

 

Os tratamentos convencionais se baseiam no uso de medicamentos como AINES (anti-inflamatórios como Ibuprofeno, Naproxeno, Diclofenaco), Triptanos (naratriptano, sumatriptano),  Ergotaminas, Amitriptilina, Topiramato, Valproato de sódio, e outros, as quais nós sabemos nem sempre essas medicações conseguem ser efetivas.

COMO A CANNABIS PODE AJUDAR NO TRATAMENTO DA ENXAQUECA?

 

O que os estudos sugerem é que a cannabis para fins medicinais pode proporcionar:

REDUÇÃO DA FREQUÊNCIA, DURAÇÃO E INTENSIDADE das crises de enxaqueca

E eu vou te explicar como isso acontece

 

A planta da cannabis possui mais de 500 compostos, mas dois deles são os principais por serem os mais abundantes e mais amplamente estudados que são o CBD e o THC.

Ambos possuem propriedades ANALGÉSICAS e ANTI- INFLAMATÓRIAS e com isso apresentam ação na redução da DOR.

Além disso, o tratamento com cannabis medicinal também pode promover uma melhor qualidade de vida e redução dos fatores desencadeantes, isso porque ela auxilia melhora da qualidade do SONO.

Assim como reduz o estresse e a ansiedade o que proporciona mais EQUILÍBRIO para as funções do organismo.

 

 

O QUE É O SISTEMA ENDOCANABINOIDE?

 

O SISTEMA ENDOCANABINOIDE  foi o último sistema do nosso corpo a ser descrito, na década de 1990 e é alvo de diversos estudos no mundo todo.

Ele é composto por substâncias químicas chamadas ANANDAMIDA e 2- AG, que são substâncias que possuem ação muito semelhante ao CBD e THC da planta.

Além disso, esse sistema conta com os receptores CB1 e CB2 além do TRPV1, GRP55, e também conta com enzimas como MAGL e FAAH que fazem o controle sobre a produção e degradação dessas substâncias.

 

PARA QUE SERVE O SISTEMA ENDOCANABINOIDE?

 

A grande função desse sistema é manter a HOMEOSTASE, ou seja, o equilíbrio de todas as funções do nosso corpo, tendo ação no sistema nervoso central e em todos os outros sistemas do nosso corpo. Incrível, não é mesmo?

 

E o mais incrível dessa história, é que existem estudos que analisaram o líquido cefalorraquidiano presente na medula de pacientes com enxaqueca e descobriram que existe uma quantidade REDUZIDA de ANANDAMIDA, que como citei anteriormente, é o nosso próprio endocanabinoide.

 

A ANANDAMIDA tem ação direta sobre os receptores CB1 lá no nosso cérebro e desempenha funções muito importantes como controle de DOR, resposta motora, controle de estresse, apetite e outras.

 

E essa quantidade reduzida de ANANDAMIDA nos mostra que existe esse desbalanço no sistema endocanabinoide nos pacientes que apresentam a enxaqueca.

 

 

E o que a planta da cannabis tem a ver com isso tudo?

 

 

Tem tudo a ver e veja porque: o THC da planta também atua diretamente nos receptores CB1, assim como a Anandamida e promove as mesmas funções.

 

Além disso, o CBD da planta faz uma modulação alostérica negativa nesses receptores e AUMENTA a BIODISPONIBILIDADE da nossa PRÓPRIA ANANDAMIDA e com isso também promove efeitos terapêuticos.

 

E é por isso que muitos pacientes apresentam uma boa resposta com o tratamento com cannabis medicinal para a enxaqueca.

 

Mas, como cada ser humano é único e tem resposta diferente a cada tipo de medicação, com a cannabis não é diferente. Por isso, consulte um médico e entenda se esse tratamento pode ser interessante para você.

 

O que mais eu posso fazer pra evitar a ENXAQUECA?

 

Além do tratamento medicamentoso, não podemos esquecer de que a mudança no estilo de vida é crucial para obtenção e manutenção dos resultados positivos como:

 

1. Prática regular de atividade física;

2. Reduzir o consumo de alimentos ultra processados, gordurosos e que contenham açucares em excesso e optar por uma alimentação mais saudável além de boa hidratação;

3. Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína em excesso;

4. Evitar o estresse e procurar dormir pelo menos 7 horas por noite de um sono de qualidade.

 

 

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Okusanya BO, Lott BE, Ehiri J, McClelland J, Rosales C. Medical Cannabis for the Treatment of Migraine in Adults: A Review of the Evidence. Front Neurol. 2022 May 30;13:871187. doi: 10.3389/fneur.2022.871187. PMID: 35711271; PMCID: PMC9197380.

 

Lo Castro, Flavia, Carlo Baraldi, Lanfranco Pellesi, and Simona Guerzoni. 2022. “Clinical Evidence of Cannabinoids in Migraine: A Narrative Review” Journal of Clinical Medicine 11, no. 6: 1479. https://doi.org/10.3390/jcm11061479

 

Russo EB. Clinical Endocannabinoid Deficiency Reconsidered: Current Research Supports the Theory in Migraine, Fibromyalgia, Irritable Bowel, and Other Treatment-Resistant Syndromes. Cannabis Cannabinoid Res. 2016 Jul 1;1(1):154-165. doi: 10.1089/can.2016.0009. PMID: 28861491; PMCID: PMC5576607.


Akerman S, Kaube H, Goadsby PJ. Anandamide is able to inhibit trigeminal neurons using an in vivo model of trigeminovascular-mediated nociception. J Pharmacol Exp Ther. 2004 Apr;309(1):56-63. doi: 10.1124/jpet.103.059808. Epub 2004 Jan 12. PMID: 14718591.

 

Gouveia-Figueira, Sandra, et al. “Plasma levels of the endocannabinoid anandamide, related N-acylethanolamines and linoleic acid-derived oxylipins in patients with migraine.” Prostaglandins, Leukotrienes and Essential Fatty Acids 120 (2017): 15-24.